Um dos ídolos mais lembrados pela torcida, Max conquistou respeito e carinho dentro e fora de campo

Postado em: 07/02/2020 às 17:30 - Modificado em 07/02/2020 às 19:33

Um dos ídolos mais lembrados pela torcida, Max conquistou respeito e carinho dentro e fora de campo
(Foto: Cristiano Borges/ O Popular)

Qual o seu ídolo no futebol? Todo fã do esporte certamente já respondeu a essa pergunta. Mas e quando um dos maiores ídolos de toda uma torcida não é quem marcou muitos gols, e sim quem evitou muitos deles? Há doze anos, Max começava a construir sua carreira histórica dentro do Vila Nova, pautada em uma excelente campanha no Campeonato Brasileiro da Série B em 2008 e em uma luta arduamente vencida contra o rebaixamento à terceira divisão, em 2010.

Maxlei Luzia dos Santos nasceu em 27 de fevereiro de 1975, no Rio de Janeiro. Iniciou a carreira nos gramados jogando pela Portuguesa da Ilha do Governador, rodou equipes cariocas até chegar no Botafogo, time no qual ganhou destaque e realizou mais de 80 jogos, sendo a Série B do time alvinegro uma das principais campanhas feitas até então. Em 2008 foi contratado pelo Vila Nova, na formação de um time que acabara de ascender à segunda divisão e com uma massa colorada em polvorosa com o momento da equipe.

Sob muita desconfiança, já que saiu do Botafogo na condição de reserva, Max chegou ao Vila Nova para marcar a história do clube, não só dentro como fora de campo. Dentro das quatro linhas, o goleiro poderia ser descrito como espetacular, com defesas consideradas impossíveis e segurança nas cobranças das penalidades. Participou do time de 2008, que passou a maior parte do Brasileirão Série B entre os quatro primeiros, e do time de 2010, sendo, ao lado de Roni, um dos líderes do grupo.

O ex-atacante colorado tinha com Max relação de irmão. “A minha relação com o Max era de irmão, era um cara de dentro da minha casa, conhecia a minha família toda. Vivia comigo fazendo churrasco, tomando cerveja. Era meu parceiro de quarto nas concentrações”, ressalta o jogador. Quem também mantinha relação próxima com o goleiro era Almir Carlos, o Popinha, massagista do Vila Nova. "Nunca fui de levar nenhum jogador para minha casa e ele foi um cara que eu chamei para comer uma carne assada lá. Um cara de primeira, irmão para toda hora, um companheirão. Me faltam palavras para definir o Max”, pontua.

Apesar da curta passagem pelo Tigrão, com apenas 52 jogos, o arqueiro se mostrou como um líder dentro e fora de campo. É o que conta Iron Gonçalves, supervisor de futebol do Vila Nova. “O Max era quem levava os problemas para a diretoria, conversava com os jogadores. Ajudava principalmente o pessoal mais jovem, os goleiros da base. Ele se relacionava muito bem com os funcionários do clube, todos gostavam dele”, conta Iron. Roni endossa a posição de liderança do goleiro. “Era um líder técnico. Não era de falar muito, mas com as defesas que fazia contagiava o grupo inteiro”, diz.

Para o torcedor colorado, Max se tornou um de seus ídolos. Em todos os jogos era recorrente e tradicional o grito de “E é o Max!”. Dirson José, vendedor externo, conta como era ver Max da arquibancada. "Era uma empolgação grande. Desde a época que o Michel Alves saiu do Vila que o clube não tinha um goleiro que era tão querido pela torcida. Pelo tempo que ele ficou no Vila e pelas defesas históricas, o considero como um ídolo, sim. Representou dentro e fora de campo, era muito tranquilo. Quando chegou, era reserva do Botafogo e logo conquistou todo mundo com atuações memoráveis", relata.

Max saiu do Vila Nova ao final da temporada de 2010, após ter ajudado a livrar a equipe de um rebaixamento à Série C, com decisão na rodada final, ganhando do São Caetano, por 2x1, no Serra Dourada, com segundo gol de Pardalzinho. Sobre o futuro, ele revelava entre amigos o desejo de voltar a trabalhar no Tigre. “Ele falava muito para mim que tinha vontade de vir trabalhar no Vila, nem que fosse como treinador de goleiros”, conta Almir, lamentando os planos frustrados do amigo.

Em 2014, o goleiro se aposentou, jogou sua última temporada pelo Barra da Tijuca, do Rio de Janeiro. Em 29 de julho de 2017, Max teve morte cerebral confirmada, após descobrir edema no cérebro, configurado como uma rara doença autoimune. As circunstâncias desta descoberta também foram desoladoras. Max sofreu uma tentativa de assalto, a fim de levar seu carro, e acabou colidindo o automóvel contra uma árvore, motivo pelo qual descobriu sua doença.

Dentro do Vila Nova, as pessoas que conviveram de perto com o atleta sentiram muito sua morte. A lamentação e o carinho que todos possuem ainda hoje por Max revelam a importância e marca dele dentro do clube. “Foi uma morte prematura, da maneira que aconteceu, era um jogador muito forte. Nós sentimos muito. Nem acreditei na época, quando a esposa dele nos passou a situação em que ele estava. Sentimos muito, pois foi um jogador que deixou um ensinamento muito grande para o Vila Nova”, conta Iron.

“Eu senti muito a morte dele, fiquei muito magoado por ter sido tão longe e eu não ter podido ir até lá para dar o último adeus ao Max. A gente se falava de vez em quando. É uma saudade que não vai ser preenchida nunca", relata Almir, com os olhos marejados por lembrar do amigo que se foi precocemente.

O responsável  por levar o goleiro para o Tigrão foi Sizenando Ferro, presidente executivo da época. Dentre os elencos que montou enquanto esteve no Vila Nova, na presidência ou diretoria, o empresário conta que tem em Max a posição de maior ídolo. "Senti uma tristeza muito grande (com a morte), pois foi um dos maiores ídolos, senão o maior, que tive nos times que montei na época", diz. Max se foi deixando esposa, filho e uma multidão apaixonada no Centro-Oeste brasileiro.

 

Núbia Alves, da Assessoria de Imprensa VNFC