Gravado na pele, Wando carrega gratidão e carinho eterno pelo Vila Nova

Postado em: 08/05/2020 às 13:14 - Modificado em 08/05/2020 às 13:34

Gravado na pele, Wando carrega gratidão e carinho eterno pelo Vila Nova
(Foto: Gazeta Press)
 
Neste sábado, 9, o canal SporTV vai reprisar a vitória do Vila Nova sobre o Corinthians, por 2x1, pelo Campeonato Brasileiro da Série B de 2008. Um ano memorável para o torcedor vilanovense, que com certeza se lembra de muitas figuras importantes daquele elenco. Um deles é o atacante Wando, ídolo dos Colorados e dono da camisa 7 mais lembrada da história recente do clube.
 
O jogador chegou no Vila Nova ainda nas categorias de base, com 16 anos, no ano de 1999, vindo da Aparecidense. Pela habilidade, ficou pouco do departamento de futebol amador. Já em 2000, subiu para a equipe profissional. Era o começo de uma história de amor, gratidão e carinho que foi parar em sua pele, numa tatuagem de um garoto com a camisa 7 do Vila Nova.
 
Wando relembra o começo da carreira no profissional, seu primeiro jogo, seu primeiro gol e sua estreia na equipe titular. “Lembro que tive  oportunidade de jogar contra a Anapolina, em Anápolis. Foi a primeira vez que entrei numa partida como profissional e foi meu primeiro gol também. Nós ganhamos de  de 2x0, fiz o segundo gol assim que entrei no jogo. Depois desse jogo, estreei como titular, contra o Goiás, na final da Copa Centro-Oeste. Estávamos perdendo de 1x0 e acabei empatando com chute de fora da área, meu primeiro gol num clássico, um chute de esquerda”, conta.
 
O atacante era daqueles jogadores raçudos que, mesmo visado pela marcação adversária, driblava, caía e levantava na mesma intensidade e provocava um vendaval na grande área. Daí um de seus apelidos, “Wandaval”. Aliás, os apelidos de Wando eram muitos, “Capetinha da Toca”, “Mito”, “Wandaval”, demonstrava a sintonia que existia entre ele e torcida. “Depois desse jogo (o primeiro contra o Goiás), eu vi que criei uma sintonia com a torcida. Toda vez que eu jogava no Vila, vestia a camisa e entrava no Serra, eu sentia a sintonia com a torcida. Criamos um vínculo que me ajudava muito. Não é de conversa fiada. Usava muito isso quando entrava para jogar, pegava muita força da torcida para poder entrar dentro de campo e dar o meu melhor. Sempre dava certo”, pontua.
 
De 2000 em diante, muitos foram os momentos bons com Wando em campo. O título do Goianão de 2001, a decisão e vitória nos pênaltis do Goianão de 2005, a Série C de 2007, a Série B de 2008. Em todos esses momentos, Wando estava na equipe Colorada. Um dos principais jogadores da última conquista do Estadual, ele conta como foi o caminho percorrido até a taça de campeão.
 
“No final de 2004, quando anunciaram o Edson Gaúcho como treinador, ele já chegou puxando a orelha de todo mundo. Fomos fazer a pré-temporada em Caldas Novas, tinha no máximo 16 atletas. Chegamos lá e ele colocou toda a programação de treinamento em três períodos durante a semana, 5h, 10h e 16h”, conta. Ele continua. “Tem um caso que aconteceu que até hoje a gente comenta. Nesse primeiro dia de treino, acordamos 5h da manhã e fomos para o estádio de Caldas, subimos a pé, a Pousada do Ipê era perto. Chegamos na porta do estádio e estava tudo fechado. Ninguém combinou com o porteiro que iríamos naquele horário, o portão estava trancado no cadeado. Ficou aquela coisa. O Edson Gaúcho virou e falou ‘é, vamos lembrar disso aqui hoje lá na frente quando formos campeões’, ele pegou e simplesmente pulou o muro, e a gente foi atrás. Quando o vigia chegou, umas 7h, já estávamos quase terminando o treino. E o melhor de tudo é que fomos campões esse ano. Essa história marcou muito, conseguimos o que buscávamos” conta. 
 
Os momentos de descontração eram acompanhados também de muita responsabilidade. A pressão de se jogar no Vila Nova, com o peso da camisa e a imensidão da torcida era o que fazia os momentos serem especiais. “Tive muitos momentos bons, momentos de pressão. Vestir a camisa do Vila Nova não é somente ir e jogar, é uma responsabilidade muito grande. Eu sei, porque eu joguei em outros clubes e sei a diferença. Senti isso na pele. Não é qualquer um que veste a camisa do Vila, não é qualquer um que joga no Vila Nova. Para jogar no Vila, o cara tem que ter a cabeça tranquila, o coração aberto e a alma preparada para isso, espírito forjado para vestir a camisa do Vila Nova. É uma coisa inexplicável, você tenta arrumar palavras para explicar o que é jogar no Vila Nova, mas é difícil. Para sentir essa emoção, só estando dentro do campo”, ressalta Wando.
 
Sobre a última passagem pelo clube, em 2014, ele revela que tinha desejo de encerrar a carreira no clube, mas que as circunstâncias da época não eram favoráveis. “Eu tinha planos de encerrar a carreira depois da minha última passagem pelo Vila. Queria encerrar onde comecei, mas infelizmente fui numa época onde as coisas não estavam legais. São coisas do futebol. Foi uma passagem muito ruim, até pela história que tenho. Mas penso que, com 11 anos de clube, uma hora ou outra teria uma decepção. Eu não era só um jogador mais, era um torcedor também, a responsabilidade sempre aumenta. Me deixou triste e chateado. Queria ter feito essa última passagem com o título ou algo melhor”, admite.
 
 
 
Sobre o espaço que o Vila ocupa em sua vida, Wando é categórico. “O Vila faz parte da minha vida, tanto que agora está na minha pele. Tenho que agradecer. Na história, hoje, se falar em Wando, fala em Vila Nova. E se falar em Vila Nova, se fala um pouco de Wando. O Vila está na minha história, na minha vida. Hoje tenho na pele. Consegui realizar o sonho que tinha de ser um jogador de futebol profissional através do Vila Nova. Fiz praticamente toda a minha trajetória dentro do Vila. Tem uma parte importante na minha vida. Agradeço a todos que fizeram parte, aos funcionários. Agradecer ao Almir, Delson, às tias da cozinha e ao pessoal que não está mais no Vila, mas que fez parte naquele momento. Me ajudaram muito. Só tenho a agradecer ao Vila e à torcida por tudo”, termina.
 
Nesta sexta-feira, 8, é aniversário do Capetinha da Toca. 40 anos, dos quais muitos foram dedicados ao Tigrão e sua torcida. Lenda da camisa 7.
 
Núbia Alves, da Assessoria de Imprensa VNFC