Operários da Bola: Do convite de João Carneiro ao OBA como casa e família, conheça o roupeiro Boliviano

Postado em: 28/04/2021 às 16:52 - Modificado em 28/04/2021 às 17:00

Operários da Bola: Do convite de João Carneiro ao OBA como casa e família, conheça o roupeiro Boliviano
(Foto: Matheus Alves / Vila Nova F.C.)

A expressão Operários da Bola, que dá nome a esta série especial sobre o Dia do Trabalhador, não é à toa no Vila Nova. O personagem de hoje é Odenir de Oliveira, aos 63 anos, um dos roupeiros do clube e exemplo de profissional e pessoa humilde, de alegria contagiante e símbolo do Tigrão.

O popular Boliviano é, ao lado de Tilico, o responsável pela organização e manutenção de todos os materiais de treino e jogo do elenco profissional, do enxoval às chuteiras. No ano passado, o mato-grossense de Cáceres foi o mordomo na campanha histórica do vice-campeonato no Campeonato Brasileiro de Aspirantes.

“A gente tem que limpar as chuteiras, guardar, contar tudo, ter o controle e organização. Tem a manutenção se tiver alguma camisa rasgada. Se tiver, leva para o Wagner Bueno (gestor de futebol) que manda arrumar, algo errado na camisa, no cadarço e pintura da chuteira. A gente faz tudo. Vou para o treino todos os dias, distribuo as bolas para os jogadores e fico sempre no lado para ajudar no que precisar”, detalhou sobre as suas funções no colorado.

João Carneiro e chegada ao Vila

Odenir ingressou no Vila Nova em 7 de maio de 2007, há praticamente 14 anos. De lá para cá, trabalhou na função de roupeiro apenas com o próprio Tilico e Mirim, que foi funcionário do #TIMEDOPOVO por 40 anos. Mas a chegada de Boliviano no clube aconteceu por intermédio do lendário João Carneiro, presidente nas conquistas do Goianão de 1978 e 1979.

“Trabalhei na casa do João Carneiro, ex-presidente do Vila Nova, e morava lá. Fazia serviços gerais, era como o braço direito dele. Até que ele me chamou para entrar aqui”, relembra.

Antes disso, ao se mudar no seu estado natal do interior para a capital Cuiabá, foi funcionário na residência da filha de João Carneiro. Foi assim que conheceu o ex-presidente colorado.

“Quando a filha dele veio para Goiânia, me ligaram perguntando se eu me mudaria para trabalhar na casa dele (João). Mandaram a passagem para mim e minha esposa e estou aqui até hoje”, disse.

O OBA como casa

Mais de 30 km separam a residência de Boliviano do OBA. O roupeiro, que reside no Setor Madre Germana I, em Aparecida de Goiânia, percorre 10 terminais por dia para trabalhar no Tigre. Ao todo, é mais tempo no transporte coletivo do que de sono diário.

“Acordo 03h45 todos os dias, saio de casa 04h15 mais ou menos para pegar o primeiro ônibus. Se não atrasar, chego por volta das 06h10. Se o treinador marca a apresentação para 8h, já tenho que estar aqui bem antes para deixar tudo arrumado. Quando fico o dia inteiro, saio do OBA às 18h e chego perto das 22h em casa”, afirmou sobre a rotina.

Em Goiânia há mais de 30 anos, nunca imaginou que trabalharia no futebol. Antes do Vila, o mordomo jamais trabalhara no mundo da bola. Não era um apaixonado, fã de esportes. Até que João Carneiro, hoje aos 85 anos e acamado por conta de um AVC, um dia levou Boliviano ao Serra Dourada em uma partida contra o Goiás e desde então o roupeiro se tornou torcedor.

Uma nova família

Pelo pouco tempo que passa com a família e por excesso de tempo nos ônibus e no OBA, o mato-grossense disse algo marcante. “O Vila Nova é uma família para mim. Fico mais aqui do que em casa, de domingo a domingo”. Esse sentimento diz muito sobre um profissional que fincou suas raízes em Goiânia e no Vila Nova por amor à família Carneiro.

“Eu acho bom vir pra cá. Isso que motiva. Eu me divirto muito, todo mundo conversando o tempo todo, xingando na brincadeira um ao outro. Tudo aqui é alegria e o ambiente é muito bom. Isso ajuda muito. Não tem tristeza aqui, eu chego no OBA e fico alegre”, reafirmou Odenir de Oliveira, que ainda disse que o preparador de goleiros, Lauro Araújo e o massagista Almir Carlos são os mais “resenhas”, como se diz na gíria futebolística.

Dos 15 filhos de Boliviano, apenas quatro residem na capital goiana. O restante está espalhado por Cáceres e Cuiabá, no Mato Grosso, por Porto Velho ou até no exterior, mais precisamente na Alemanha. Até por isso, a relação com atletas e outros funcionários é de fato na esfera familiar.

“Os jogadores me ajudam muito e eu me divirto com eles. O Alan Mineiro me dá dinheiro para pagar Uber, outros me dão carona até o Terminal Garavelo também”, revelou sobre o carinho que recebe do grupo.

Na base da simplicidade, do trabalho e do carisma pelos corredores da sede administrativa, Boliviano é muito querido no Vila Nova Futebol Clube. Para sacramentar de vez esta união familiar e antes pouco provável entre o roupeiro e o clube, o desejo é um só: “Espero que o Vila Nova suba para a Série A, seria um prazer. É meu sonho”, desejou ao elogiar os serviços atuais prestados pelo presidente executivo Hugo Jorge Bravo.

Matheus Alves, da Assessoria VNFC.