Operários da Bola: De auxiliar de serviços gerais a símbolo do Tigrão, o massagista Almir está no clube desde 1978

Postado em: 30/04/2021 às 18:52

Operários da Bola: De auxiliar de serviços gerais a símbolo do Tigrão, o massagista Almir está no clube desde 1978
(Foto: Douglas Monteiro / Vila Nova F.C.)

No futebol, os donos do espetáculo são os jogadores. Mas é difícil encontrar um torcedor vilanovense que não conheça Almir Carlos, massagista do clube há 43 anos. O personagem de hoje da série “Operários da Bola” é, ao lado do chefe de registros Givanildo, o funcionário mais longevo no Tigrão.

Hoje com 59 anos, Almir ingressou no colorado quando ainda era um adolescente, aos 16 anos de idade. De auxiliar de serviços gerais passou a atuar aos poucos como massagista das categorias de base, começou a se especializar, até ser efetivado no time principal. Foram 10 anos de Vila até se firmar na função que o eternizou. Para isso, contou com Lázaro Maia, a quem se referiu como “mestre”.

“Eu entrei para trabalhar como auxiliar de serviços gerais. Com cerca de dois anos aqui, o massagista da época Lázaro Maia me chamou para ser o badeco dele, auxiliar. Fui me especializando até me tornar o massagista do profissional”, detalhou.

Há tanto tempo exercendo este cargo, Almir passou pelo processo de profissionalização e aperfeiçoamento da equipe médica no futebol. Anteriormente, o massagista era responsável pela recuperação dos atletas lesionados. Hoje em dia, essa parte ficou sob responsabilidade da fisioterapia e o seu trabalho diário diz mais respeito ao campo - nos primeiros socorros, bem como a distribuição de suplementos e água aos atletas.

Sempre alegre e carismático no cotidiano e um dos responsáveis por dar leveza ao ambiente de trabalho, Almir gosta de levar as suas funções a sério. “Estou no mesmo lugar há tanto tempo e no mesmo nível. Eu sempre procuro manter meu ritmo de trabalho. Eu gosto do clube e do que faço. Se não gostasse tanto, não ficaria tanto tempo”, decretou.

E se a renúncia de tempo por conta da dedicação e o período no clube é grande, não se pode dizer tanto na parte familiar. Os dois filhos de Almir Carlos foram jogadores de futebol e chegaram a se profissionalizar com a camisa do Vila Nova. Cresceram ao lado do pai no ambiente do esporte. Batata e Almir Júnior vestiram a camisa do Tigrão, enquanto seu sogro, pai da esposa Doralice, foi o responsável pelo seu ingresso na instituição.

E como com todo funcionário longevo, o profissional também criou raízes no clube, amizades para levar durante toda vida. Almir é compadre, padrinho de casamento do ex-atacante Roni. Outros pratas da casa com quem ele tem uma relação próxima é Tim e Wando, ídolos colorados.

Com 43 anos de casa, as lembranças mais vivas na memória do massagista são o título invicto da Série C de 1996, o primeiro nacional do futebol, e a virada histórica por 5 a 3 sobre o rival Goiás no Campeonato Goiano de 1999. Tudo isso e mais fazem do Vila Nova o resumo de toda uma vida de Almir. “O Vila é a minha vida. Comecei adolescente. Tive várias oportunidades para sair e nunca aceitei. Então o Vila Nova é a minha vida inteira”, completou.

Matheus Alves, da Assessoria VNFC.