Operários da Bola: “O Vila representa tudo para mim”, conheça Hidelson Rocha, o Delson, há 33 anos no Tigrão

Postado em: 01/05/2021 às 07:27

Operários da Bola: “O Vila representa tudo para mim”, conheça Hidelson Rocha, o Delson, há 33 anos no Tigrão
(Foto: Douglas Monteiro/ Vila Nova F.C.)

A série Operários da Bola, que celebra os funcionários mais antigos do Vila Nova em alusão ao Dia do Trabalhador, não poderia ser encerrada com personagem mais folclórico e lendário: Hidelson Rocha da Silva, o Delson. Fichado no Vila desde o início da década de 80, Delson tem pelo Tigrão amor e carinho.

 

Del tem 61 anos e é funcionário de serviços gerais que cuida da manutenção dos campos do Estádio Onésio Brasileiro Alvarenga (OBA) e do CT Toca do Tigre, mas a história dele no Vila começa antes de uma carteira assinada. No final da década de 70, Delson era lavador de carros e ficava na porta do OBA prestando serviço para os jogadores e demais funcionários do clube. Fazia muito mais que lavar carro, sempre que alguém precisava de algum serviço na rua, ele fazia. Foi assim que, no início dos anos 80, o técnico Brandão solicitou ao presidente da época, João Carneiro, que oficializasse Delson como funcionário do clube.

 

“Eu comecei aqui no Vila lavando carro, há 38 anos (antes de ser contratado). Depois, o Vila contratou o treinador Brandão, que mandou me fichar. Comecei, fichado, a cuidar do campo e a fazer serviços gerais. O Brandão gostava muito de mim, eu era sério, me achava trabalhador. Aí falou para o João Carneiro, presidente na época, me contratar”, conta o funcionário, com brilho nos olhos ao lembrar o esforço reconhecido na época.

 

A seriedade no trabalho persiste até hoje, tanto que Del tem orgulho de dizer que acorda e chega cedo para cuidar dos campos do Vila. Ele se reveza entre OBA e CT, dependendo da ocasião. Quando tem jogo no OBA, sempre um dia antes ele é deslocado para cuidar do campo do jogo. Em dias habituais, faz a manutenção da estrutura do CT. “Hoje eu cuido dos campos do OBA e do CT e faço tudo o que me pedem, cuido da grama, marco o campo. Em dia de jogo no OBA, eu venho para cá. Quando não tem, eu fico no CT. Lá é melhor para mim, porque é mais perto da minha casa”, ressalta.

 

Quem frequentou as dependências do Vila sabe o quanto Delson é querido, principalmente pelos jogadores, seja da Base ou do Profissional. Sua marca registrada é o famoso “vale” que ele pede ao pessoal do clube sempre que pode. Esse jeito cativante fez dele uma pessoa especial principalmente para dois jogadores: Cocito e Pedro Júnior. Cocito era volante e jogou no Vila em 2009, numa breve passagem interrompida por uma lesão no joelho. Mas tempo suficiente para marcar a vida do auxiliar de campo. Pedro Júnior já tem uma história mais antiga, com um relacionamento de respeito e cuidado desde a época das escolinhas do clube.

 

“O cara que mais gostava de mim no Vila era o Cocito, depois dele é o Pedro Junior. Eles são muito bons para mim, eu que lavava os quartos deles quando eles moravam aqui, cuidava deles, me ajudam muito. Conheço o Pedro desde a escolinha, ele me faz um vale toda vez. O Cocito todo mês manda dinheiro para mim”, conta Delson, com um sorriso no rosto. O cuidado do volante com ele é tanto que já custeou até tratamento dentário.

 

De família muito humilde, hoje Delson mora com as irmãs. Ele não casou ou teve filhos, morava com os pais até a data de morte deles. Emocionado, ele diz que estar no Vila faz com que ele se esqueça da tristeza que foi perder os pais.“O Vila representa tudo para mim. O que mais gosto aqui são as pessoas. Acostumei. Eu morava junto com meus pais, era muito próximo a eles. Eles morreram e, para não ficar lembrando toda vez e nem ficar triste com isso, eu venho para o Vila. Aqui, eu esqueço dessa parte, esqueço de tudo isso, foco no serviço”, pontuou com os olhos marejados.

 

Núbia Alves, da Assessoria de Imprensa VNFC