Hugo Jorge fala sobre mudanças nas categorias de base

Postado em: 09/09/2014 às 11:03 - Modificado em 11/09/2014 às 16:44


Torcedor, conselheiro e agora diretor pela segunda vez. Há dois meses, o Vila Nova anunciou o retorno de Hugo Jorge Bravo ao comando das categorias de base. Sessenta dias foram suficientes para perceber diversas mudanças na forma de se tocar o promissor departamento que lhe foi confiado. Não seria exagero afirmar que o assunto em questão é o futuro do clube.

Em sua primeira passagem, Hugo Jorge permaneceu exatamente um ano no cargo – maio de 2012 a maio de 2013. Neste período, o diretor conquistou seu objetivo pessoal ao ver o Vila Nova disputar as finais em todas as categorias amadoras. Depois disso, ainda ficou 45 dias no futebol profissional, tempo suficiente para montar a base do time que conquistaria o acesso à Série B do Brasileirão.

Para Hugo, a sensação de voltar a ser diretor da base ainda soa como um grande desafio. Da mensalidade da escolinha, passando pela reformulação de comissões técnicas até uma possível convocação para seleção brasileira Sub-17: muita coisa já mudou no último bimestre, e a tendência é que continue. Confira o que faz e planeja o diretor Hugo Jorge:

Vila Nova: Por que aceitou o desafio de retornar à direção das categorias de base?
Hugo Jorge: Depois de um tempo, nossa visão no futebol fica mais apurada. Quando assumi o cargo pela primeira vez, vi equipes fragilizadas, até por não terem chegado às finais dos campeonatos que disputavam. Na época, conseguimos retomar isso e as coisas voltaram a acontecer. É muito bom ficar entre os primeiros, os atletas gostam e precisam disso. Mas a meta de quem faz a gestão não pode ser só disputar títulos, e sim captar e formar o atleta. Não tem como a gente pensar um clube de futebol sem revelar atletas. Meu maior desafio é fazer com que o Vila Nova seja rentável no que diz respeito a revelação de talentos.

baaaseQual deve ser o principal foco?
Trabalhamos com dois pilares, que é a captação e a formação. Cobramos bastante de todas as pessoas envolvidas, não abro mão que o processo de formação do atleta seja diferenciado.

Quando eu falo da questão de conquistar resultados em campo, pra mim é importante, mas o que mais queremos é que o Vila tenha um lateral-direito que saiba chegar na linha de fundo, um batedor de falta, um zagueiro que tenha uma boa bola aérea e noção de cobertura, por exemplo. Então nosso objetivo é ter pelo menos quatro ou cinco atletas por ano que possam servir ao profissional com qualidade para jogar, podendo ser negociado posteriormente para gerar receita.

Quais foram as mudanças ocorridas nas categorias de base durante os últimos dois meses?
Já deu para fazer muita coisa. Nós reformulamos as comissões técnicas e trouxemos alguns profissionais com o perfil que a gente entende ser o necessário para a formação de atletas. Realizamos uma peneirada que foi um sucesso, deu mais de 200 jogadores inscritos e alguns foram selecionados. Também criamos um programa de estágio para staff, reduzimos o valor da mensalidade da escolinha e voltamos a disputar o Campeonato Goiano Sub-13.

Como funciona o programa de estágio que foi criado na sua gestão?
Criamos o departamento de estatística e captação, composto por estagiários em educação física. Sabemos que não é no banco de uma universidade que o estudante vai aprender a essência do futebol, ele tem que ir a campo. Oferecemos essa oportunidade e hoje temos quase dez estagiários no grupo. São pessoas não remuneradas, que vieram para somar, e o ponto positivo é que são torcedores também. Eles têm a função de ajudar na captação das peneiradas, monitoramento de atletas, análise de jogos e fazem um banco de dados com as estatísticas de jogos e treinamentos. É bom para o Vila Nova e para o estudante.

Um observador técnico da seleção brasileira Sub-17 esteve em Goiânia recentemente. O que ele pôde ver no Vila Nova?
Surgiu um contato solicitando que fossem agendados amistosos contra Goiás e Atlético para que ele (Bruno Costa, observador técnico da seleção brasileira) pudesse analisar atletas. Fizemos a partida contra o Goiás, no campo da Serrinha, ganhamos por 2 a 1, e no dia seguinte vencemos o Atlético, por 1 a 0. Alguns atletas nossos despertaram o interesse, então tenho certeza que mostramos um bom trabalho. (Clique aqui e saiba detalhes)

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Como está a situação da escolinha?
Fizemos um trabalho de bastidores e ficou decidido que o valor da mensalidade seria reduzido de R$ 100 para R$ 80, podendo diminuir para R$ 70 em caso de pagamento até o dia 10 do mês.

Acho que é um valor justo, atrativo e espero que possamos voltar a ter uma boa quantidade de garotos aprendendo a jogar futebol. Além de reduzir essa mensalidade, a gente precisa oferecer uma estrutura melhor, estamos atrás disso. Precisamos proporcionar aos pais mais conforto para acompanhar seus filhos. Fora isso, o trabalho da escolinha também precisa ser voltado para a filosofia da formação. É uma porta de captação considerável.

Considerações finais
Quero agradecer o apoio da torcida. A força que me deram durante minha primeira passagem pelo clube foi fundamental para superar as dificuldades, para alcançar objetivos. Muito obrigado pela confiança, tenho certeza que Deus vai nos abençoar nessa nova etapa. O Vila é isso, ele precisa continuar na boca do povo, popular, vencendo competições desde a escolinha. Ao trabalho!

(Fonte: Assessoria de comunicação Vila Nova F.C.
 Texto: Mônica Parreira. Fotos: Douglas Monteiro)